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sábado, 1 de dezembro de 2012

My Son Marshall, My Son Eminem. Capítulo 15

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Capítulo 15

No dia 3 de fevereiro de 1996, era o aniversário de 10 anos de Nathan. Três dias depois ele havia começado em uma escola nova. Eu dei um beijo de despedida nele com grande temor. Assim como Marshall nessa mesma idade, Nathan estava sendo vítima de bulling. 

Vinte minutos depois que ele entrou na sala, funcionários da assistência social entraram e o tiraram de lá. Eles o levaram para uma casa de recuperação de jovens e eu fui processada acusada de várias ofensas, incluindo sofrer da síndrome de Munchausen by proxy ou MSP. Eu não sabia nem o que era isso na época mas eu vou explicar de maneira bem sucinta. É o pesadelo de toda mãe.

Quatro meses atrás Nathan voltou para casa da escola as 15 horas com um corte profundo atrás da cabeça. Ele tinha apanhado de dois primos na parada o ônibus escolar as 7 da manhã. Ele estavam discutindo sobre o julgamento de O.J. Simpson. O jogador de futebol americano tinha sido acusado de matar a mulher, Nicole, e o amigo dela, Ron Goldman, mas assim como muitos outros americanos, eu achava que ele era culpado. Quando os primos perguntaram a Nathan o que ele achava, Nate repetiu as minhas opiniões sobre o assunto. Eles começaram a bater na cabeça dele com os punhos e um soco inglês, jogando ele na calçada antes do ônibus chegar. Nate entrou no ônibus, foi para escola e tentou falar com a diretoria. Mas colocaram ele nas salas de computador e deram a ele um pacote de gelo para colocar em sua cabeça. Deram a ele um sanduíche no almoço e depois o enviaram para casa por ônibus.

Nathan implorou para não deixá-lo na escola. Não era só as crianças que estavam implicando com ele, os professores não gostavam dele também. Ele tem um tipo de dislexia - especialistas dizem que ele vê as palavras de trás pra frente - e ele foi colocado em uma sala para estudantes especiais. Os professores fizeram ele sentar na primeira carteira, de frente pro quadro e de costas para as outras crianças. Quando Nate reclamava que ele estava sendo atingido por objetos vindos do fundo da sala, ou que era espetado por lápis e canetas quando o professor não estava olhando, ele era colocado no canto da sala e forçado a usar um chapéu de "burro". 

Como se não bastasse, alguns meses mais cedo nós estávamos voltando de Missouri quando Nathan tropeçou no carpete do hotel e bateu a cabeça. A queda foi tão feia que ele perdeu um de seus dentes. Ele foi levado as presas para o hospital para tratamento. Mas as conseqüências dessa queda continuou mesmo após os cuidados. Ele sofria lapsos de memória e os professores falavam que ele não estava lendo corretamente. A pedido da escola ele foi colocado em uma classe especial ele fi diagnosticado com uma síndrome pós concussão e estresse pós traumático.

A lembrança da vontade dos médicos de quererem que Marshall fosse internado depois do ataque de DeAngelo Bailey, me fez ficar mais super protetora de Nathan. Eu quase perdi um filho, agora eu vigiava Nathan como um falcão. Depois de apanhar por causa de O.J.Simpson eu levei ele ao médico, que me recomendou que Nathan ficasse em casa até se recuperar.

Nathan implorava para eu não deixá-lo na escola e eu concordei. Eu queria colocá-lo em outra instituição. Eu achei um lugar legal para comprar em Casco Township e aluguei um apartamento temporário enquanto esperava a mudança chegar.  Eu disse a Marshall que ele, Kim e Hailie  poderiam ficar com a casa em Saint Clair Shore desde que prometessem pagar as contas do imóvel. Eles se mudaram assim que os problemas com Nathan e a escola foram resolvidos.

Depois a escola de Nathan me acusou por deixá-lo sem freqüentar as aulas. O julgamento foi marcado para janeiro e mais tarde adiado. O juiz me aconselhou a voltar com um advogado.  Nesse meio tempo, agentes do serviço social bateram na minha porta. Eu tinha ligado para o serviço de proteção a criança por causa das brigas que Nathan estava tendo na escola, mas a coisa se voltou contra mim uma vez que as crianças se negaram a falar que batiam em meu filho. A principio eu fiquei feliz de ver os agentes, mais tarde iria me arrepender de ter chamado por sua ajuda.  Eles avaliaram a casa, checaram por comida e verificaram a limpeza. Não fez diferença que eu tinha a recomendação médica por escrito pedindo para que Nathan repousasse, a escola queria ele de volta.

Eu decidi que precisávamos mudar de estado. Eu mandei Nathan para Missouri, e pedi para minha irmã Tanya arrumasse uma escola para ele, enquanto eu fiquei em Michigan esperando pelo dia do julgamento. Infelizmente meu julgamento foi adiado.

Eu falava com Nathan quatro vezes por dia, ele implorava para voltar para casa. Ele nunca tinha dormido na casa de amigos, quanto mais passar semanas longe de mim. Então eu dirigi para Misssouri para buscá-lo. Minha família se recusou a deixá-lo sair comigo, então eu tive que chamar a polícia. Não era nada de mais, só mais uma briga da minha família. Depois de checar a documentação os policiais deixaram Nathan voltar comigo.

Nós chagamos na manhã seguinte e mal tivemos tempo para desfazer as malas pois já estava na hora de Nathan ir para escola. Tinha acabado de passar o seu aniversário e ele não queria ir a escola, mas eu disse que logo ele faria novos amigos.

Depois que eu o deixei na escola tive uma sensação de que alguma coisa estava errada, então eu liguei para escola só para ter certeza. Como desculpa eu falei que tinha de verificar com ele se havia entregado o dinheiro para ele almoçar. O telefone foi passado para um oficial do serviço de proteção a criança, a mesma que havia visitado a minha casa. Ela me disse que o Estado havia reivindicado a custódia de Nathan e que eu deveria estar no tribunal em meia hora. Eles chegaram a enviar um policial a minha casa para ter certeza de que eu iria.

Assim que cheguei ao tribunal encontrei com uma antiga amiga minha, Pat, o filho dela também estava lá, os oficiais a deixaram na mesma sala que eu.  A sala estava lotada de pessoas, algumas conseguiram lugar para sentar mas outras tiveram que ficar em pé no corredor.

Eu continuava a perguntar : “Onde está o meu filho?” mas o oficial me mandava ficar quieta. Quando eles finalmente leram as acusações eu queria gritar. Eu estava sendo acusada de manter Nathan fora da escola;  bater nele com cinto ou escova de cabelo;  e deixá-lo fora de casa por ouvir rap.

Eu nunca levantei um dedo contra Nathan, e ele cresceu ouvindo os raps de Marshall. Em choque, eu disse a eles que as acusações eram mentiras. Novamente, eles me disseram para calar a boca.  Ai veio a acusação mais estranha: que eu sofria da doença de Munchausen by Proxy. Eu olhei para Betsy Mellos, minha advogada, para ver se ela sabia o que era aquilo. Nem ela sabia. Eu sou pequena, assim como o pai de Nathan. Eu comecei a pensar nos Munchkins do Mágico de Oz – que nossos genes fizeram com que Nathan fosse muito pequeno para a idade. Tinha que ser algum tipo de nanismo, eu pensava.

O caso foi adiado. Eu implorei para levar meu filho, mas as autoridades não deixaram e se recusaram a falar onde ele estava. Me disseram para ir a sala ao lado para assinar uns papeis caso Nathan precisasse de algum tratamento médico enquanto estava longe de mim. A situação era tão bizarra que me dava espanto.

Betsy e eu sentamos em uma sala, olhando a papelada, tentando decidir qual o próximo passo. Também pesquisamos sobre Munchausen by Proxy. Não foi uma leitura muito prazerosa. A síndrome de Munchausen é basicamente um distúrbio psicológico.  As pessoas que sofrem dessa síndrome se auto-machucam para ganhar atenção. Munchausenby Proxy é mais rara e muito mais séria. É uma das piores formas de abuso infantil. Os doentes geralmente são mulheres que sofreram algum tipo de abuso na infância.

Entrei em choque quando li sobre a doença. Dizem que as mulheres que sofrem dessa síndrome exageram e fabricam sintomas, chagando até a induzir doenças e machucados em seus filhos, constantemente levando-os aos médico pra testes e cirurgias desnecessárias na criança. Havia alguns casos que mães esfregavam produtos de limpeza na criança para causar erupções na pele, ou por vontade própria, abriam os machucados dos filhos para que eles não sarassem. Dizem que os portadores da síndrome fazem isso para ter atenção dos médicos.

“Eu nunca machuquei uma criança”, chorei com Betsy. “A escola esta dizendo isso porque eles estão abusando de Nathan”. Betsy foi muito gentil e me deu muito apoio. Ela tinha gêmeos e sabia que eu não machucaria meus filhos.

Eu sabia eu a acusação de Munchausen by Proxy era uma armação – uma maneira fácil de retirar de mim o meu filho e colocá-lo para adoção – mas eu tinha que provar. 

Depois de deixar o tribunal fui para a casa de recuperação de jovens assinar os papeis. Quando peguei para assinar eu rasguei o papel e gritei para ver Nathan. Os funcionários se recusavam a me deixar ver ele. Eu sai de lá em choque. Minha amiga, Pat, que passou o dia comigo junto com seu filho, tiveram que me carregar para o carro.

No caminho de volta eu não conseguia falar, eu só chorava.  Em casa era pior. Via a bicicleta de Nathan na porta da cozinha, seus brinquedos no chão. Só me restava imaginar a situação dele. Dormir em um local estranho que lembra uma cadeia. Não podia telefonar para ele.  Eu não sabia onde ele estava. As perguntas continuavam vir na minha cabeça: ele realmente está em uma casa de recuperação? Ele sabe que estou tentando ajudá-lo? Meu deus, como eles podem fazer isso com meu filho? Eu estava a ponto de ter um ataque de nervos. Eu esperava e rezava para meu filho voltar.

O mês se passou e eu nem me dei conta. Eu continuei trabalhando, estudando para técnico em enfermagem, cuidando de Hailie sempre que podia. Ela era uma menininha tão linda, mas meu coração partia por Nathan. Finalmente concordaram que eu podia vê-lo com uma visita supervisionada na casa de recuperação.

Estava muito frio mas Nathan só estava vestindo short e camisa de pijama. Me avisaram que eu não podia abraçá-lo, mas ainda assim eu tentei tocar em seu braço e a assistente social gritou comigo. Ele estava azul de frio. Eu não parava de chorar.  Nathan implorava e implorava para que eu o levasse comigo. Foi horrível explicar para ele que as autoridades não deixavam, eu nem podia ver o interior do local onde ele estava.

Uns dias depois eu recebi uma carta dizendo que as minha visitas a Nathan estavam suspensas. Betsy e eu brigamos por mais duas semanas até me deixarem ver ele de novo. Não era fácil, mas pelo menos eu podia vê-lo.

Pelos próximos 4 meses eu podia ver Nathan: uma semana sim, outra não; depois uma vez na semana; e finalmente me deixaram ver ele sozinha. Nós sentamos em um cubículo, cercados de outros pais e filhos, em igual situação. Assistentes sociais cercavam o local escutando tudo que nós dizíamos.  Eles paravam de forma ameaçadora toda vez que Nathan tentava me contar como a família adotiva que ele estava era ruim com ele. Ele fazia desenhos dele mesmo e escrevia as palavras “socorro” dentro de bolhas. Eu sabia que tinha de tirar ele de lá, a qualquer custo.

Eu pedi a assistente social que deixasse Marshall visitar Nathan, no lugar do pai de Nathan, que havia se recusado a ajudá-lo. Então Marshall passou a visitá-lo, ele já tinha quase 24 anos e já era pai. Ele estava ocupado mas sempre arrumava um tempo para seu irmão.

Eu tive um palpite: tinha lido em algum local que crianças descendentes de nativos americanos não podem ser levados a adoção. Eles tem que ficar com a família original. Por parte de pai eu era parte Cherokee.  Eu fui a biblioteca e fiz umas ligações, comecei a investigar isso mais a fundo.  Finalmente consegui a prova que precisava.

A lei de cuidados infantis indiano de 1978 foi criada para impedir de descendentes de indianos fossem adotados por famílias não indianas. A lei dizia que se a criança fosse membro de uma tribo ou pelo menos reconhecido ele não poderia ser levado a adoção. Devendo permanecer com sua família.

O serviço de proteção a criança ficou indignado. “Mentira! Você não tem descendência indiana” um funcionário disse. Eu apenas sorri. Com a ajuda de Nan eu consegui achar nossos traços de nossos antepassados em uma Tribo chamada Echota no Alabama. Eu liguei para a tribo e eles mais que depressa ajudaram. Nós fizemos as pesquisas e eles nos reconheceram como membros. Recebemos até um cartão de reconhecimento para oficializar. Marshall disse que não queria um – ele preferia se apegar a sua origem escocesa. A tribo Echota ofereceu para Nathan e eu todos os cuidados necessários. Se o tribunal não me devolvesse Nathan a tribo devolveria. Nós tínhamos um porto seguro agora; tudo que tinha de fazer era provar no tribunal. E graças a Deus a Associação Americana de Inrios e Faye Gibbons me ajudou a lutar.

11 comentários:

  1. Elisaaaaaa!
    Te amo, sua lindaaaaa!

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  2. Nosso os americanos são estranhos... Esse povo é escravo. To feliz de ser brasileiro mesmo...

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  3. meu deus que historia mais louca e esquisita

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  4. Gente, desde o primeiro capítulo que eu li eu notei que ela tinha essa síndrome...
    Pesquisem sobre ela e vocês realmente vão encontrar algumas semelhanças com as atitudes da Debby
    ela vive em hospitais, SEMPRE tá acontecendo alguma desgraça, parece que ela fica o tempo inteiro atraindo isso pra se sentir viva...

    Ainda bem que o Marshall é um cara forte...

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    1. http://jovemnerd.ig.com.br/nerdcast/nerdcast-339-disturbios-mentais/ ouvi aí

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  5. Nossa, ela é totalmente doente!!!!!!

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  6. Se minha vida tiver metade da ação que a dela teve eu já tô feliz. kkkkkkkkkkkkkkk

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    1. metade da vida dela foi só desgraça... deusquemelivre

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  7. Eu credo omal sorte viu [MAYARA]..........

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  8. Sei lá ,mais acho q Debbie realmente tem essa doença leiam mais sobre essa doença ,parece q estam descrevendo ela http://en.wikipedia.org/wiki/M%C3%BCnchausen_syndrome_by_proxy

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