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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

The Way I Am - Capítulo 5

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EIGHT MILE
THE UNDERDOGS WHO WINS

Desde que o Marshall Mathers LP foi lançado eu queria fazer um filme que mostrasse algo similar a como eu surgi, algo levemente baseado na minha vida. Eu sempre acreditei que muitos garotos iriam se identificar com a minha história, a história de um azarão. 

Nos anos 2000 as pessoas me ofereciam papeis em filmes, me procuravam com ofertas de filmes e coisas assim. Era algo que eu sabia que queria experimentar um dia, mas queria estar mais focado na música e fazer filmes depois. Eu me preocupava em fazer um filme: eu achava que iria afetar a minha produção musical por ter que sair do estúdio - onde eu realmente queria estar. E também, e se você tira todo esse tempo para fazer um filme e ele falha?

O que manteve o meu interesse é que eu queria fazer algo autêntico, e algo que tivesse um motivo para ser lançado - eu não queria somente alavancar a minha carreira. 

Mas ai Jimmy Iovine arrumou um encontro com esse cara Brian Grazer, que acabou sendo um dos produtores do filme. Na primeira metade de nossa reunião eu fiquei avaliando o cara. Brian disse que me viu na MTV - mais especificamente na "EMTV", que foi um especial em que eu meio que tomei conta da programação. Ele disse que viu algo em mim que o fez querer trabalhar comigo. Disse que eu tinha um potencial para ser ator. Depois ele começou a perguntar sobre a minha música e o quanto dela é baseado na minha realidade. Eu podia ver que ele queria fazer algo real, algo que se comunicaria comigo e com outros garotos por ai como eu. Então a reunião acabou, e nós decidimos que iríamos escolher um roteirista, trabalhar algumas idéias e partir dai. 

FOI NESSE PERÍODO QUE MINHA VIDA COMEÇOU A FICAR LOUCA. 

Quando a primeira versão do script saiu, eu me lembro que foi no período em que minha vida começou a se complicar. Eu sabia que queria fazer a história. Demorei um pouco para começar a lê-lo - porque eu odeio ler. Eu digo, se o livro não tem figuras cara, esquece. O único livro que me lembro ter lido foi do LL Cool J e isso foi quando eu ficava muito tempo no aeroporto. (Se você é fã do LL, e quer saber mais do lado pessoal dele é um puta livro para se ler). Mas enfim, uma vez que comecei a ler o script e passei das primeiras três ou quatro páginas, eu estava fixado nele. Eu liguei para o Paul e disse "Vamos fazer". Proof e eu sentamos junto com o roteirista, Scott Silver, e contamos para ele uma porrada de histórias loucas. Contamos para ele como costumávamos batalhar, sobre os clubes, e o script começou a ser montado. 

Claro que eu me preocupara com o fato de ter que atuar. Não era a minha praia. Mas o Ice Cube me deu umas dicas. Ele dizia que todos que faziam rap deveriam ter a chance de atuar. E não da pra dizer que o que nós falamos no rap é falso, mas repare, se você tem uma música onde você esta realmente puto,e você esta expondo isso na voz, e por alguma razão você tem que voltar e refazer o verso você tem que novamente adicionar a agressividade na música. Tem que se assemelhar ao que já foi gravado, na mesma intensidade.  O que é parecido com atuação em um filme. 

Na primeira vez é bem desconfortável. Você não conhece as pessoas que estão atuando com você e dai do nada você tem que agir como se estivesse puto com algo para o filme. Você pensa "ficar puto" dai você fica, e tudo bem, mas agora você tem que bater naquele cara e ele tem que te bater de volta. Antes de começarmos a filmar eu trabalhei com um professor de artes cênicas por algumas seções. Tudo aconteceu no porão da minha casa. A maneira mais simples de descrever as minhas aulas de teatro é: eu aprendi a dizer a mesma coisa de várias maneira diferentes. Simples, mas funciona.

Ao mesmo tempo, muito desse papel era tão parecido comigo que foi quase que natural. Eu não estou tentando ser egocêntrico, mas eu meio que pensei, posso fazer isso. Não é como se tivessem me pedindo para ser um policial - sabe algo completamente diferente do que eu sou. No filme, interpretei um cara chamado Jimmy que cresce em Detroit e quer ser rapper, e tudo se passa em 1995 - quando eu estava em Detroit tentando ser um rapper. Literalmente me fez voltar no tempo antes de eu ser famoso. 

Por um tempo o script foi nomeado como "Projeto Detroit, sem título". Foi eu quem tive a idéia de chamar-lo de 8 Mile. O diretor, Curtis Hanson e eu discutimos sobre isso. (discussão amigável) Ele diz que foi ele quem saiu com o título. Mas eu digo: Curtis sem ofensa tá, mas você mora em LA e nem sabia o que era a 8 Mile até vir aqui em Detroit e te mostrar o local. 

EM DETROIT, 8 MILE É UMA FRONTEIRA ENTRE OS BAIRROS DOS BRANCOS E DOS NEGROS. Os dois lados da 8 mile eram pobres, mas era uma linha definitiva entre os brancos e negros. E é dai que o nome do filme vem. Essa barreira que enfrentamos. 

O estúdio não queria fazer, mas eu insisti em filmar em Detroit, que é onde eu gravo a maior parte dos clipes e coisas assim. Se eu puder ajudar de alguma forma a criar empregos lá, eu to dentro. Detroit já esteve na merda financeira por muito tempo.

Era ótimo estar em casa, mas ainda assim filmar 8 mile foi um desafio. Eu tinha um trailer onde eu podia passar o tempo com as minhas filhas. Dai quando era hora de eu ir ao set a babá entrava para cuidar delas. Eu sempre tinha certeza que as meninas tinham um livro de colori, giz de cera e qualquer coisa que pudesse entretê-las até eu voltar. Uma vez que as meninas iam embora, eu iria a outro trailer escrever um pouco. Depois ia ao estúdio trailer e gravava algumas vozes lá - fiquei sentado lá escrevendo "Lose Yourself" e "8 mile", tudo entre as pausas das filmagens e entre o tempo de ficar com as meninas. 

Durante todo aquele tempo, quando não estava ensaiando eu estava escrevendo. Eu tinha uma caneta nas mãos todo o tempo, ate que eles diziam "ação!" e eu entregava a caneta e o papel para alguém e ia gravar a cena. Esse filme me levava de volta para o tempo em que eu não era conhecido, foi bom para o meu ego, eu tive que capturar aquela essência de volta.

AS FILMAGENS DE BATALHA ERAM INTENSAS. FILMÁ-LAS PARECIA QUE REALMENTE ESTÁVAMOS EM UM CLUBE.

Eu tinha sérios flashbacks. Quando eu costumava ir a estes locais com outros MCs, eu nunca que pensava sobre a atuação. Mas olhando para trás, as batalhas eram bem visuais. Se você terminasse dizendo que seu oponente era lixo, talvez você jogaria um saco de lixo na cara dele. As pessoa utilizam de vários artifícios para dar vida as letras. As batalhas de rap podem ser bem físicas - balançando os braços para ir com a rima, quando você zoa com a cara do oponente. É como ser um condutor, e a única orquestra que você esta conduzindo é o seu traseiro estúpido. 

Paul e eu escolhemos as batidas para as batalhas.  Eu estava louco para usar o instrumental do Mobb Deep "Shook Ones pt 2". Aquela era "A música" em 95, então funcionou perfeitamente para o filme. A música era crucial. Ajudava a manter a autenticidade da coisa. Eu era capaz de desenvolver a intensidade que usava naquelas batalhas, mas também demonstrar algum controle que um ator precisa para fazer com que a coisa ficasse acreditável. Acho que todos acreditaram em mim!

Manter a atuação dramática era o mais difícil. As vezes eu falava "Curtis, eu não falava assim" e ele dizia 'Você não é você nesse filma. Você é Jimmy Smith Jr". Sim, ta certo, mas era baseada na minha vida que eu sentia que eu sabia da coisa. Conversávamos sobre o personagem e eu na terceira pessoa: "Eu não acho que o Jimmy Smith Jr. falaria isso. Não acho que ele faria isso." E "Marshall definitivamente não falaria isso". Eu pedia a Curtis para fazer uma fala do modo como eu reagiria, e ele me deixava. No entanto, eu não acho que usaram isso no filme. Eu percebi que tínhamos que confiar um no outro, Curtis e eu. Ele tinha que confiar em mim na música e nos raps para o filme, eu tinha que confiar nele na atuação e na direção. Naquele jogo eu era um aprendiz. Eu estava lá para aprender. 

Algumas cenas eram mais fáceis de filmar que outras. A cena de sexo provavelmente durou um minuto e meio para ser filmada. Não foi engraçado - ficar praticamente nu na frente de homens e mulheres que você não conhece - mas por sorte eu não tenho problemas em mostrar minha bunda para o mundo. Eu sou o Dirk Diggler do hip-hop. E tinham cenas que demoravam anos! As cenas de dirigir a noite eram infinitas. A janela tinha que estar baixa para a câmera ter um melhor angulo do meu rosto. E eu dirigia sob o vento, no inverno, à noite: não é legal.

A cena da casa queimando causou polêmica em Detroit. Teve um pessoal protestando. Na minha época existia uma coisa chamada Devil's Night, que acontecia na noite depois do Halloween. Basicamente, as crianças saiam para queimar casas abandonadas, que eram fáceis de encontrar na minha vizinhança. A cidade de Detroit conseguiu controlar um pouco, mas Devil's Night ainda acontecia na época da filmagem de 8 Mile, então tinha que ter parte no filme. Aquilo era uma cena que tentava retratar como éramos estúpidos quando jovens e garotos apenas zoando. Na cena eu acho uma fotografia - prova de que uma família morava ali. A cena mostra como a pobreza pode ser uma merda, e aponta para a mensagem positiva do filme: que não importa da onde você veio, do norte ou sul de 8 mile, você consegue sair de lá se estiver com a mente no lugar certo e agir de acordo. Essa conquista é um dos pontos do filme. 

Tinham umas coisas estranhas em 8 mile também. Eu briguei com unhas e dentes (e venci) para retirar a cena do cavalo do filme porque não fazia sentido nenhum. Jimmy brigaria com a mãe dele e leva a irmã dele para a vizinha, dai ele senta e começa a chorar apenas pensando na vida de merda dele. Mas ai ele vira e - avinha só - vê um cavalo. Tipo um daqueles cavalos policiais que andam pela cidade e essas merdas. Ele vê esse cavalo em um lote e ele não sabe por que ele esta ali. Ele vai ate o cavalo e faz carinho nele. Agora, tem algo sobre os cavalos e o modo como eles movimentam a cabeça deles - eles viram a cabeça meio que do nada. Curtis me dizia para agarrar as rédeas e alisá-lo. Mas o cavalo não parava de fazer esse movimento estranho com a cabeça, e eu pensava, esse filho da puta uma hora vai virar essa cabeça acertar o meu queixo e me nocautear. Cavalos e eu, não nos damos muito bem. Eu não mexeria com um cavalo. Se um cavalo resolvesse me zoar, eu não responderia. 

Definitivamente foi uma mudança estranha - o sucesso, a explosão depois de 8 mile. Antes do filme sair, eu não estava na defensiva com o sucesso. Claro o garoto branco vendeu alguns milhões de álbuns, mas tava de boa com aquilo. Mas eu não sabia que a coisa com o filme cresceria tanto. Você começa a ver os pais levar os filhos pré-adolescentes para o seu show. Eu pensava "o que esta acontecendo?". Ficou tudo muito doido depois de 8 mile. A Interscope disse que a minha fã base subiu, havia pessoas de 60 ate a faixa dos 70 anos de idade - o que não fazia sentido para mim. Quer dizer, então você curte meu som, e o seu avô também?

Era estranho sabe, os novos fãs e de onde eles vinham. A base de fãs sabia qual era a situação, conheciam a minha história, a minha conexão com ao hip-hop. E todo o resto - se você gostou do filme e dai você passou a curti a música, ou se você tem 86 anos de idade - eu queria dizer obrigado. Hailie agradece a vocês. A faculdade dela esta paga.

Como um artista começando, eu nunca pensei em lotar um estádio, tenho certeza que alguns fãs achavam que eu sonhava com isso. Para vocês eu digo, eu ainda amo vocês. Eu sinto que não fiz música para lotar. Sim fiz algumas mais pop, mas a letra o flow e o comando de batida sempre foram puro hip-hop. Eu soava como sempre. A única diferença é que havia mais pessoas me ouvindo e apoiando a minha arte. Eu espero que entendam que não posso controlar quem gosta da minha música ou de mim. 

Mas sério, se eu fizer outro filme, a questão vai ser se serei ou não capaz de fazer um papel que não tem nada a ver comigo. Quando você pensa em um bom ator, tipo Denzel Washinton, que provavelmente é o meu artista favorito, você sabe que Denzel foda. Seja fazendo um papel de gangster ou policial, você até esquece que esta vendo um filme. O desafio para mim é apresentar esse tipo de seriedade que em expert como Denzel faz. Ele é uma inspiração. Se eu for fazer algo, quero ser bom nisso. Preciso ser competitivo. Respeitado.

9 comentários:

  1. Hehe a historia do cavalo eu nao sabia nao mais ainda bem que nao foi para o filme no meu ponto de vista nao ficaria legal... capitulo dahora elisa

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  2. adorei o capitulo , valeu elisa por traduzir e eu acho que a parte que ele diz que não pode controlar quem gosta dele se encaixa perfeitamente para algumas pessoas que tem criticado o eminem por conta de alguns dos stans.

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  3. De nada pessoas... desculpem a demora mas é que a coisa ta tensa
    Mas não esqueço dele não =D
    demora mas sai rsrs

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  4. Amei. Eu já conhecia a história do cavalo e, sinceramente, acredito que ficaria bem legal. O Curtis Hanson (diretor do filme), é um cara mega sensível, já vi vários dele ( Los Angeles-Cidade Proibida, Garotos Incríveis...). Talvez ele quisesse mostrar a sensibilidade de Jimmy, algo delicado num lugar e numa situação tão brutal.De qualquer forma, 8 Mile é um dos meus "favorites of all times" rs.

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  5. seria legal ver ele fazendo mais filmes

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  6. Ae mina parabens pela traducao da hora memo valeu. Cada vez mais fã desse cara valeu linda chapo!!!! Abraco bjao no coracao
    End.

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  7. Elisa parabens pela muita tradução, muito boa mesmo, to sempre acompanhando aqui, e eu queria saber quando vc vai postar o capitulo 6?

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  8. eminem tem medo de pescoço de girafa e agora descobri q ele tem medo tb de cavalo eita
    menino

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  9. Ahh, a cena do cavalo ficaria bonitinha rsrsrs

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