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domingo, 10 de novembro de 2013

Entrevista Complex: Back Issues

Tendo reclamado seu lugar no topo, Eminem faz mais uma página no hip-hop.

"oh eu também tenho a primeira música de meu novo álbum. Você quer ouvir?"

Se Eminem te faz esta pergunta - a qualquer hora, por qualquer motivo - o senso comum obriga você responder entusiasticamente: "Sim!". entretanto, se ele pergunta isto tendo acabado de tocar para você demos primárias de "Forgot About Dre" e "what's the difference" é certo que irá responder "Santa mãe de Deus sim, por favor agora, obrigado, obrigado" rapidamente. Então sim, basicamente foi isto que eu disse.
Era setembro de 1998, e eu, Jonathan Shecter, Stretch Armstrong, Royce da 5’9”, Paul Rosenberg, o próprio Marshall Mathers III fomos ao escritório do GAME Recordings’ TriBeCa ouvir os novos sons.  O primeiro álbum do Eminem, The Slim Shady LP, ainda era um projeto, seria lançado no começo do ano seguinte, e ele estava e Nova York para cuidar de negócios com a Interscope. Eu tinha em mãos o mais novo do Jay volume 2 Hard Knock Life, que veio ate mim através de minha equipe na revista Blaze e Eminem já tinha o esboço do que estaria por vir em 2001. Algumas boas músicas tinham sido tocadas.

E ai: Genteel esboça um toque de piano, e a voz e bebê do Eminem se eleva para violenta e ameaçadora ao gritar “Sit down, bitch, you move again I’ll BEAT THE SHIT OUT OF YOU!”. O ar deixa a sala. Ele estava tocando “Kim” para nós e WEOENO. Enquanto a sua feiura bela era exposta pelas caixas de som, ninguém sequer trocou olhares. Ninguem fez nada. Apenas escutamos. Nunca havíamos ouvido uma faixa assim. Que merda, uma faixa assim sequer existia. Depois de nos conquistar com seu maravilhoso jogo de palavras e suas performances criativas em seu primeiro álbum Eminem estava mostrando tudo. Ele se libertou das convenções, da vergonha, da moral e tudo aquilo que a sociedade acha aceitável. Se libertou e se liberou, ele desenvolveu o mais brutal, honesto, repulsivo, intoxicante momento musical de sempre

Então o som acabou e sentamos em silêncio. Ninguém falou nada. Eu já considerava Eminem tremendamente talentoso, mas naquele momento – perturbado e maravilhado – foi a primeira vez que passou pela minha cabeça que aquele cara poderia ser um dos maiores artistas da minha geração. É claro que nem por um segundo eu considerei a bagagem que vem esta distinção.

“Então o que vocês acharam?”
Quinze anos depois, andando pelas calmas ruas fora de 8 Mile, Eminem esta me mostrando antecipadamente seu novo projeto “The Marshall Mathers LP 2”.
Nos anos que se passaram, como resultado da conexão de músicas como “Kim” fez com os fãs, ele se tornou uma das pessoas mais famosas na Terra, experimentando todos os prazeres e dor que vem com a vida adulta. Agora, quatro anos sóbrio, aos 41 anos pai de três Eminem ainda é, sem discussão o mais talentoso e técnico rapper vivo. Mas sua arte se tornou mais refreada.

Eminem passou boa parte da última década tentando acertar sua geniosa vida pessoal - esta que uma vez abençloou o rapper batalhador com desejos de sucesso, riqueza e fama - de volta ao fundo do poço. Hoje pouco sabemos sobre sua vida pessoal. Excluindo suas saídas ocasionais para promoção de seus álbuns, nós mal o vemos. E é assim que ele quer que seja.

Seus dois últimos álbuns "Relapse" e "Recovery", foram inspirados em sua experiencia como um viciado e depois como um viciado em recuperação. Esta restrição permitiu que ele se aprofunda-se e não ampliasse  os temas, que mantivesse algumas coisas para ele mesmo. Mas as músicas que ele toca para mim hoje, a arrepiante “Legacy” à instigadora "Rap God", são bastantes pessoais, porém não reveladoras de sua intimidade.

Conversando com Eminem semana passada por vídeo chat ele parece pronto para "tomar as rédeas", como ele diz. Ele ainda trabalha no álbum até algumas horas antes do fim de seu prazo. "Eu nem consigo me lembrar quando foi a última vez que fiz uma entrevista", ele diz "quando estou no processo de fazer música eu nem penso aquilo que eu quero dizer. Mas eu tenho que voltar a esta forma, e quer saber? você é meu primeiro". Durante a conversa que foi interrompida pelas sirenes da polícia do  Brooklyn e chamadas no FaceTime. nós falamos sobre as revelações pessoais existentes no MMLP valeram ou não à pena, como tratar o segundo álbum neste território tão familiar - apesar dele não querer estragar a surpresa; ele é cheio de surpresas - e porque você nunca deve interromper a estratégia de um homem.

O que o MMLP significa para você?
Não significa nada para mim. [pausa longa] [risos] nah digo, eu não sei. Acho que é so um sentimento que eu associo aquela época.

Quando decidiu fazer esta sequencia?
Quando eu comecei a gravar este álbum, muitas músicas que eu tocava para as pessoas, elas me diziam que as lembravam daquela época. O que era aquilo que eu estava esperando primeiramente, mas o fato de as pessoas notarem isso que fez sentido.
É revisitar alguns temas do MMLP, mas é óbvio que é um período diferente na minha vida. É por isto que não falo que é uma sequencia. Uma sequencia seria uma continuação de tudo o que estava ali.

Quais temas você esta revisitando?
Um... [longa pausa] certas coisas cara. Estou pensando para ver se posso responder isto. E eu sou retardado então... No primeiro MMLP há algumas coisas pessoais que eu falei e neste álbum há alguns capítulos que eu quero fechar. Isto não é Recovery, onde eu estava saindo de tragédias pessoais. Eu não estou me recuperando de uma overdose com drogas. É mais sobre voltar ao básico do hip-hop e alguns fundamentos que fazem sentido.

Recovery teve muitos momentos pessoais, mas trata estreitamente de sus vício. O MMLP falava mais de sua vida pessoal. Você se sente mais confortável em revisita-lo agora depois de ter enfrentado seus demônios?
Yeah, eu não sei. Durante muito em minha carreira eu coloquei muito de minha vida lá. Eram coisas pessoais que eu expunha ali e não dava a minima. As vezes eu penso nisso e "Droga, será que eu fiz a coisa certa? O quanto de mim eu quero que seja exposto?" Em um aspecto você quer que seus fãs sintam que te conhecem e se conectam com você. Mas depois você fica "Cara eu não vou colocar nada de mim mais" eu não quero divulgar como meus problemas pessoais se desenrolam.

Mas quando as pessoas lerem isto, elas já terão ouvido o álbum
Sim eu sei, mas eu não quero contar a você até você ouvir. Eu não quero ter que dar o alerta de spoiler. Gosto de surpresa, não sei se você sabe disso. [risos]

[risos] Percebi nestes últimos 15 anos. I estava preparando a entrevista ouvindo o MMLP pela primeira vez em algum tempo já..
Há um tempo uhn? Que merda [risos]

Eu sei, desculpe cara [risos]. Então eu estava ouvindo "Kim" - você ouviu esta música recentemente?
Eu não acho que ouvi muito daquele álbum recentemente.

Aquela faixa é incrivelmente pessoal - também é estranha e sombria. Ouvir estas faixas te deixam desconfortável?
Eu não ouço elas já há algum tempo. Mas muita coisa esta guardada na minha cabeça, musicas e os temas dos álbuns. Performar uma música como "Kill You" em um show refresca a minha memoria. Como eu disse, foi um período diferente na minha vida e um período diferente no rap. E eu vou continuar dizendo "período".
Eu sempre digo isto sobre música, e música no geral? música é como se fosse uma capsula do tempo. Cada álbum reflete aquilo que eu estava passando ou o que estava acontecendo em minha vida. Eu não quero revelar o quão pessoal este álbum vai ser, não sei se vai exatamente onde o outro foi.

Nomear o álbum MMLP2 criou muitas expectativas. Isso te pressionou de alguma forma?
Eu não sei nem como responder a esta pergunta porque eu não quero dizer "aquele álbum era o melhor..." mas eu sinto que nomeá-lo assim iria causar expectativas.

Pessoas no geral falam que aquele álbum foi o melhor [risos]. Você vendeu álbuns cópias e mudou a música pop e eu não acho que ninguem vai achar que foi em vão.
Eu não sei como responder a isto. Não me sinto confortável em responder [risos]

Um dos meiores temas do MMLP foi aquilo de “Me looking at you looking at me”. É visto isto em "Rap GOd" e algumas outras músicas que você me mostrou - você percebe que existe menos pessoas obcervando você agora que em 2000. Como é este sentimento de estar em um aquário?
Ainda parece que estou [em um aquário].Não é o que, mas ainda há efeitos desta exposição acontecendo. É uma benção e uma maldição - o fato de eu conseguir estar no estúdio tanto quanto eu quero, e criar o quanto eu quero, mas chegou a um poto onde as vezes parece que [som de sirene ao fundo]. O que foi isso?

Sirene do lado de fora da minha janela. Sabe, estou na rua fazendo as minhas coisas de gangsta. Policia está me procurando. 
[Risos] Tipo, "deixa eu terminar logo com essa entrevista antes de me botarem no saco!". De qualquer forma o que eu estava falando?

Você dizia que ainda se sente em um aquário.
E este é o motivo pelo qual eu prefiro não falar mais sobre a minha vida pessoal - alem daquilo que eu quero colocar nos álbuns. Tenho que fazer coisas para proteger a vida pessoal da minha família. Eu nem iria comentar sobre isto honestamente. Não é querer ser chato com você..

Não eu entendo. Em uma das faixas você fala a linha do Columbine e fala como sobre como você acha que pode se safar daquilo agora.
Oh você pegou aquilo?

É eu estava ouvindo.
Como eu digo isto. Obviamente havia mais agitação naquela época e as pessoas se agarravam a cada palavra que eu dizia. Já não é assim mais, então eu me pergunto "consigo me safar das merdas agora que o centro das atenções já não esta em mim?" Parte disto é que as pessoas já estão acostumadas comigo agora. Eu não acho que as pessoas pensam muito nisso.. Se acostumaram comigo agora.

Quando que o Rick Rubin entrou em cena? 
Quando ja tinha um terço pronto. Sempre admirei o Rick e o que ele fez. Do jeito que ele é capaz de mudar de estilos musicais e ser um mestre em todos eles, isso meche com a minha cabeça há tempos. Paul disse que talvez ele estaria interessado em trabalhar comigo, e quando Yoda quer que você vai vê-lo, você vai ver Yoda. Então eu e Paul fomos a LA para ver como que estava a coisa. Eu sou faã do trabalho dele há muito tempo, via as faixas dele desde menino, álbuns que ele produziu para LL e todo o seu corpo de trabalho. Fiquei nervoso ao conhecer Rick pela primeira vez. Absolutamente. E muito lisonjeado que ele queria trabalhar comigo. Sua energia é muito calma e tranquila, e isso permitiu que nós dois pudéssemos criar juntos. Conversamos e fomos ao estúdio e começamos.

Todos vimos ele no sofá sem sapatos. Pode dizer como é trabalhar com ele como produtor? Ele te treina ou trabalha nos beats ou fala sobre o que ele sente?
tudo isso. Ele guia, experimenta as coisas. Programa as baterias e "Você gosta assim? ou assim?"

Qual foi a coisa mais significante que Rick disse para te guiar?
Ele sempre diz "Tente de tudo".  Sempre que saia uma ideia, não importa o quão ridícula ela é, ou quanto fraca parece ser, o tema dele é "Não há nada que não devemos tentar. Se não funcionar vamos saber".  Eu e ele em muitas músicas tivemos o mesmo ouvido e tentávamos coisas na faixa e instantâneamente, nós dois, sabíamos que não tinha funcionado. Não havia muito atrito. Rick é do tipo deixe a merda acontecer organicamente.  Então no momento em que eu não sentia aquilo que ele havia colocado na faixa, 9 de 10 vezes ele retirava. "Obviamente não funciona. Por algum motivo você não está sentido isso". Isso é uma coisa coisas que fa ele ser tão bom. se ele esta trabalhando na beat, eu posso sentar com uma caneta e escrever  e falar "ah não sei se estou sentindo esta ai" e ele dizia "ok, vamos mudar".
Este álbum foi a primeira vez, já a algum tempo, que eu realmente produzi algo. Nada em Relapse e pouco em Recovery foi produzido por mim. então isso foi uma das coisas divertidas de se fazer novamente: entrar ali e fazer beats do nada com Luis Resto e ver o que podemos fazer. Foi bom colocar o chapel de produtor novamente-

Você-
O que? desculpe.

Não vai em frente cara. 
Nah, vai você

Tem que ser do meu jeito ne?
Sempre não é? Porra cara.

desculpe, mas isto é um momento para brilhar.
Você tem essa apresentação na BLAZE e dai sua cabeça fica grande. Que porra é essa cara? E dai as linhas da sua cabeça vão crescer também!

Verdade. Foi o que aconteceu ne. ah Você ouviu o verso do Kendrick em "Control"?
Sim

Qual foi a sua primeira reação?
Dificil dizer porque ele destruiu naquele verso, mas é foda porque todos disseram  o que ele fez antes de ter a chance de ouvir. Minha primeira reação foi "puta merda!" e depois "Wow, isso foi esperto pra caralho!" Ele fez de forma muito inteligente. Não tem como ficar puto porque ele esta dizendo o que todos os MCs estão pensando ou deveriam pensar. entende o que digo? "Eu quero destruir a competição. Quero matar todo mundo".

Te lembrou "Till I Collapse" de alguma forma?
Em que sentido?

Here’s the order of my list that it’s in….” Você fez a mesma coisa de exclusão e inclusão. Você nomeou as pessoas que estão no topo do jogo, e se colocou próximo a eles-
Eu acho que Kendrick - tenho certeza que ele provavelmente diria isso também - ele definitivamente pegou uma página de quando eu sai, Royce saiu, Canibus saiu. Tenho certeza que fui conhecido por fazer coisas assim, Royce também é conhecido por fazer cisas similares e Canibus. Eu acho que ele pegou uma página dali e atualizou ela. Ninguem está fazendo isto e por isso que digo que foi esperto dele fazer, porque ele esta em uma estágio na sua carreira onde ele pode "Foda-se. Vou falar isso e o que der deu. Mas é isso que eu sinto. Vou fazer isso de forma tão esperta que os caras não vão conseguir ficar com raiva. Porque se você ficar com raiva você vai parecer um doido".

Temos que ter a conversa do G.O.A.T - preparado?
Conversa do G.O.A.T? eu não tenho nenhum cabrito [goat] cara.

Breaking Bad ou The Wire - qual a melhor?
Não é justo porque eu ão terminei de ver Breaking Bad, mas eu te digo isso, não importa. Breaking Bad é bom. Eu vi os 5-6 primeiros episódios mas dai eu fiquei tão ocupado que não vi mais. The Wire, sem dúvida a melhor coisa que já vi na TV. Melhor show de sempre. Nenhum outro chegará nem perto de The Wire. Eu parei de ver Tv por causa de The Wire. The Wire arruinou tudo para mim agora porque não quer ver mais nada. Eu ja te falei que eu gosto de The Wire?

Eu to percebendo. Quando estávamos andando no estúdio para o carro pareceu que havia um quadro ideal perto do microfone. Você tem um time ideal? 
Sim, tenho um time ideal há um tempo.

Como está nesta temporada.
Não muito bem [risos]. muitos de meus jogadores estão machucados.

Quem esta no time ideal do Eminem?
Apenas amigos cara.

Seu time tem nome?
Tenho um nome, mas novamente isso e algo que quero manter para mim. Não tenho muita coisa para manter para mim mesmo..

Estou cheio de perguntas sobre esse seu time [ risos] . Onde você acha que se encaixa no hip-hop agora?
Não sei. Luto com isso as vezes. Acho que é mais sobre onde as pessoas me vêem ou onde acham que estou. Espero que depois de tudo dito e feito as pessoas me vejam apenas como um MC. É só isso que peço. Eu sei que quando comparam os sons eles tem algum apelo que vai em determinada forma e acabam "que porra é essa? Isso não é hip-hop" como digo isso? Eu não tenho controle disso quando lanço a musica. Quanto mais o que é ou sobre o que é, eu sempre me dou o máximo liricamente. Eu não iria me compremeter "essa batida parece ter apelo comercial. Vamos escrever qualquer coisa e pronto". Eu não estou tentando apenas vender álbuns ou tentar estar nas rádios. E falando nisso eu ainda tenho algumas músicas para terminar. Estou fodido agora. Não, eu estou bem.. Mas não vou entregar no prazo.


Ok vou te deixar ir. Acho que ainda vamos estar aqui daqui a 15 anos ne?
Enquanto a BLAZE estiver, estaremos aqui.

Fonte: Complex 

5 comentários:

  1. é que eu sou meio retardado...kkkkkkk

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  2. Muito foda o cara falando de "Kim"

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    1. Ele ficou sem graça... acho que não gosta muito de lembrar dessa música agora que esta de boa com a Kim.

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